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  • Os servos da morte

    Adonias Filho contribuiu de forma decisiva para uma das maiores criações ficcionais da literatura brasileira: o sertão. Adonias Filho, autor de “Os servos da morte” A cena se passa em torno da mesa. O velho cego e os quatro filhos, todos homens. A refeição é tensa. Paulino Duarte, o velho, interroga um dos filhos,…

  • Corinthians

    Nelson Rodrigues 1. Amigos, o meu personagem da semana é do Corinthians ou por outra: — o meu personagem da semana é o próprio Corinthians. Grande time, não há dúvida, de um forte, largo feitio épico. Diz-se, com justiça, que o Corinthians é uma espécie de Flamengo, assim como o Flamengo é uma espécie…

  • Conversa de bastidores

    Graciliano Ramos Com o papel caro, o livro pela hora da morte, as tipografias abarrotadas, o livreiro se esconde, recusa de longe as ofertas de escritas que inundam o mercado. Pois sei de editor rigoroso que andou em busca de um literato inédito, desconhecido, tão desconhecido que até lhe ignorávamos o nome. Talvez seja…

  • Detesta/gosta

    O jornalista e colecionador João Condé notabilizou-se pela coluna “Arquivos implacáveis”, inicialmente publicada em A Manhã e Letras e Artes.

  • Sobre a poesia de Bruno Tolentino

    Em breve a Editora Sator lançará a versão corrigida e ampliada do fantástico livro de Alexei Bueno: Uma história da poesia brasileira. Reproduzimos abaixo um pequeno trecho, acerca da poesia de Bruno Tolentino: Após um rumoroso processo pela publicação de um livro inteiramente plagiado, em 1957, Infinito Sul — cujo título era de Sílvio…

  • Um ensaio de Claudio Comendini sobre o romance de Karleno Bocarro

    As almas que se quebram no chão, de Karleno Bocarro, é um romance ambientado na Berlim Oriental dos últimos suspiros da Guerra Fria. A cidade, ainda marcada pela divisão ideológica e pela decadência do regime socialista, serve como pano de fundo para uma narrativa que acompanha jovens brasileiros em processo de desintegração pessoal e…

  • Lunalva

    Se quiserem saber quem sou— Não sei quem souSó sei que em mimA sombra e a luzSão vultosQue se buscam e se amamLoucamente Se quiserem saber do meu destino— Não sei do meu destino— Não sei do meu nomeSó sei daquela sedeImensa sedeQue ainda não foi saciada Se quiserem saber donde venho— Não sei…

  • Das medidas

    Todos me avaliam, mensuram, somamos atributos e os glóbulos.A cabeça e justamente os olhos. A lucidez me dóicomo um revésde não ser nada disso,de não levar o chapéu nos comícios,o chapéu do argumento nítidoque cabe na frase ou na testa. Medem-me, terrenoa ser comprado e aradoe se o for, o endereçonão será o do…

  • No tribunal

    Eu e o tribunal,e sua fria mudez.O juiz no centro e no fim,o rosto girando em mim,farândola. Vim, com a escura coragem,de um réu antigo e selvagem.O que me prendeu,lutou comigo e venceu.Vacilava em me reter,mas eu que me entregava,por saber que minha chagaestava exposta na lei. Giram as mãose os pés atados. O…

  • Soneto aos sapatos quietos

    Os pés dos sapatos juntos.Hei-de calçá-los, soltose imensos, e talvez rotos,como dois velhos marujos.