• No tribunal

    Eu e o tribunal,e sua fria mudez.O juiz no centro e no fim,o rosto girando em mim,farândola. Vim, com a escura coragem,de um réu antigo e selvagem.O que me prendeu,lutou comigo e venceu.Vacilava em me reter,mas eu que me entregava,por saber que minha chagaestava exposta na lei. Giram as mãose os pés atados. O…

  • Soneto aos sapatos quietos

    Os pés dos sapatos juntos.Hei-de calçá-los, soltose imensos, e talvez rotos,como dois velhos marujos.

  • O ganho

    Dos deuses não espero soldo, nem reses.De ganho, só meus proventos:de ganho, o que esbanjo ao vento.De ganho o que cava a pá.De ganho o que faz a paz.De ganho o que a morte dá,dia dia, ano e ano.

  • Aos amigos e inimigos

    De amigos e inimigosfui servido,agora estamos unidos,atrelados ao degredo.

  • Os Viventes de Nejar

    Mitos, pessoas e animais formam o núcleo desse livro de Carlos Nejar. Sendo um escritor com acentuada consciência de seu tempo, não parece disposto a contaminar-se pelos postulados teóricos dos que falam de poesia em extinção. Portanto, não submisso ao profetismo hegeliano que no século XIX anunciou o fim da arte, tese frustrada por…