Gabriel Rosa Alves
A menina olhava ao redor com extrema atenção e curiosidade, perguntando à mãe sobre os “quês”, os “para quês” e, mais importante, os “porquês”. Estava, particularmente, intrigada com um velho perfurador de folhas e, como a mãe não lhe desse atenção, resolveu questionar-me, mero servidor municipal, sobre o funcionamento daquele aparato.
Respondi-a, explicando que o objeto era usado para fazer buracos em folhas de papel. A menina, não satisfeita, replicou (com olhos interrogativos):
― E para que se fazem esses buracos?
Ora essa:
― Para juntar grandes quantidades de folhas de papel umas às outras; por vezes, é útil perfurá-las ― respondi.
Seus olhinhos, então, como se pedissem para ver, brilharam. Como, à época, eu não compreendia tal linguagem abstrata (talvez por esquecimento), a menina resolveu usar palavras e me perguntou:
― Você vai usá-lo agora?
― Não ― respondi-lhe.
Ela, não obstante, prosseguiu:
― Use-o, por favor.
EUREKA! Finalmente compreendi (e por que teria demorado tanto assim?) e ofereci-lhe o perfurador, depois de algumas instruções.
A menina investigava o objeto com cuidado e reverência. Tomou uma folha de papel e, com todo o temor, perfurou-a. Quando viu o resultado de seu trabalho, foi logo dizendo à mãe que “aquilo era muito divertido”. Penso que nem mesmo Arquimedes teve tão grande maravilhamento!
A menina foi embora com sua mãe e voltei a organizar documentos e a atender diferentes pessoas. Tudo voltou a ser familiar e pude, novamente, esquecer-me do desconforto da dúvida.
Gabriel é cristão, filho do Triângulo Mineiro, casado com Thayla, pós-graduado em Língua Portuguesa e Literatura Brasileira e apaixonado pela Palavra.

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