Rayssa Sales
Uma flor rosa, daquelas de jardim, com suas pétalas ingênuas. Na escola, quando na quinta série, um toque suave na mão e uma troca de sorrisos infantis.
Sexta, sétima, oitava série… ensino médio. Conversas nas entrelinhas e provocações sem fim.
— “Amizade ou amor?”
Nada claro, nenhuma declaração, nunca. Oito ou oitenta, ora noites em claro, ora dias de silêncio. Amigos ou inimigos? Adolescentes!
Desencontros e descaminhos. Ele, cheio de descobertas, mulheres, festa, bebida, mas o mesmo. Ela, a mesma, mas outra.
Certo dia, encontro inesperado na fila do pão. Troca de olhares e telefones. Entre poucas palavras, o passado suspenso em prateleiras.
— “Tarde demais?” — Meses depois, na ligação.
Depois de algumas tentativas, a esquiva de sempre sem quaisquer explicações.
Andanças, mundo louco, solto, sem sentido. E se?
Meia-volta, a vida cheia de riscos… Na calçada próxima de casa, algumas notas e um buquê colorido em troca: astromélias com pintas em tons de laranja, peônias exuberantes e gérberas alegres de pétalas alongadas, na cor do sol do momento.
Dentro do gol vermelho, os olhos tímidos pelo retrovisor e uma decisão com cheiro de juventude.
Logo na esquina depois de uns cinco quarteirões, ela, em companhia. Abraço e beijo demorados no portão de casa adentro. As flores, para o lixo, ele, para o bar. Desesperança à mesa, sem noção de hora; goles frios, peito mais ainda. Notícias nunca mais!
Cabelos brancos e a vaga lembrança, embora viva, como um sonho fresco.
Na mão, para ela, uma coroa de flores brancas.
Rayssa é cristã, casada e mestre em Linguística. Nasceu em Fortaleza/CE e vive, desde a infância, no mundo das letras. Escreve principalmente crônicas e poesia e é integrante do “Saleiro: comunidade de escritores cristãos”.
Instagram: @profrayssasales

Deixe um comentário