Linha, agulha, e paciência. Movimentos sem pressa, e ágeis. Mãos enrugadas, machucadas, repletas de história. E a máquina de costura em seu tique tique tique. O tecido? Velhos retalhos de camurça. Primeiro um círculo, perfeito tal capoeira, astrolábio, ou ainda uma roda de dança Tupi Guarani debaixo do céu sem fim. Um céu escuro, lembrança do fundo de um sonho. Azul. Celeste. Não… Marinho. Distante como uma navegação, ou um tiro de flecha, ou ainda o choro escravo dentro de uma alma que sofre. Silêncio. Tosses. Um gole d’água. Um pouco de malha fria. Tecido branco. Cruzeiro do Sul, Cão Menor, Cão Maior, Carina, Octante, Triângulo Austral, Escorpião, Hidra Fêmea e Virgem. Ou apenas estrelas. Estrelas e histórias. Qual a diferença? Seus movimentos, estrela cadente, uma oração silente, em cada sorriso, suor, e suspiro… Do dourado cetim um losango. Reluzente como o ouro do Eufrates e os diamantes de Serra Leoa, os castelos da Europa, a El Dorado americana. Uma volta pela esquerda, outra à direita. Imprecisões. Erros em ambos. Desenlace. Nova trama… trabalho manual. O círculo sobre o losango. Gemidos. Mãos às costas. Bolo de milho, café mineiro. Dedos cansados pela biblioteca de tecidos. Verde tricoline. Cheiro de mato, de terra. Mata Atlântica, Cerrado, Floresta, Caatinga. Um retângulo tão perfeito quanto o Éden. Pano de fundo. Sem mais metrônomo. Da máquina de costura ao sofá, da avó ao neto. Tevê no máximo. Copa do Mundo. Jogo do Brasil!
Gabriel é cristão, filho do Triângulo Mineiro, casado com Thayla, pós-graduado em Língua Portuguesa e Literatura Brasileira e apaixonado pela Palavra. Instagram: @escritorgabrielrosa.

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