Leviatã

Arthur Guanaes

[Por ocasião das queimadas de agosto de 2024, que encheram o céu do Brasil de cinzas]


Sem haver quem o prenda nem derrote
Abalando montanha, mar e serra
Sua presença é pior que uma guerra
Destruindo poesia, tema e mote
Se rasteja o terrível Beemote;

Fogo arfando, ele incendeia a chã
Geme a terra em braseiro esturricada;
De borralha reveste a alvorada
Ponto rubro, no chumbo da manhã
São os olhos do monstro Leviatã

Todo o mundo se vai, se esfumaçando
Fino fumo tomando o céu imenso
A fumaça subindo como incenso
Labaredas às matas abraçando
E o monstro com seu olhar tão brando
Nem percebe a beleza que destrói
Andorinhas, sabiás e rouxinóis
Onça, paca, jaó, tamanduá
Siriema, ‘nhabu, lobo-guará
Vai levando o Leviatã feroz


Arthur é cristão, casado com Teresinha e brasiliense. Escreve contos (e poemas) e é integrante do “Saleiro: comunidade de escritores cristãos”. Instagram: arthurguanaes.

2 respostas a “Leviatã”

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