Rayssa Sales
O que me resta cabe numa terça,
uns rostos costumados, pais e tios.
As memórias desterradas são festa,
seguidas do momento, também rio.
Alguns pares não se formaram à mesa,
a saudade se julga desvario.
Estar em casa não é ser completa,
sorrir é minha forma de delírio.
E por haver distâncias e saudade
que vivem morte ou morrem mesmo em vida,
suspeito a vida e sua humanidade.
No fim, aceito tudo o que me é dado:
a noite, suas promessas e sua dívida.
O que me falta é uma forma de agrado.
—
Rayssa é cristã, casada e mestre em Linguística. Nasceu em Fortaleza/CE e vive, desde a infância, no mundo das letras. Escreve principalmente crônicas e poesia e é integrante do “Saleiro: comunidade de escritores cristãos” (@saleirocomunidade). Instagram: @profrayssasales.

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