Artur Azevedo A cena passa-se em 1890. A família está toda reunida na sala de jantar. O senhor Rodrigues palita os dentes, repimpado numa cadeira de balanço. Acabou de comer como um abade. Dona Bernardina, sua esposa, está muito entretida a limpar a gaiola de um canário belga. Os pequenos são dois, um menino…
João Antônio Quando entrou na cela o carcereiro para trazer a boia, deu-me na cachola a lembrança estranha de (que doidice) saber que dia era. O homem rosnou um vinte de janeiro, com má vontade, num trejeito. Estremeci. Vinte de janeiro… dez anos que estou aqui. Nunca senti remorso do que fiz, mas hoje…
Lygia Fagundes Telles A empregada era a Alina, uma bonita crioula que sempre dava um jeito de arrumar uma festa. Nessa noite (Baile da Primavera) o vestido de cetim rosa-choque já estava estendido em cima da cama, tinha agora que sair galopando para fazer o penteado e comprar os brincos. Antes, renovou o leite…
João Antônio ACartola,mestre,considerado,poeta da Estação Primeira de Mangueira,consagro esta história curta A rua ruim de novo. Abafava, de quente, depois de umas chuvadas de vento, desastrosas e medonhas, em janeiro. Desregulava. Um calorão azucrinava o tumulto, o movimento, o rumor das ruas. Mesmo de dia, as baratas saíam de tocas e escondidos, agitadas. Suor…
João Antônio O irmão se chegou e ajeitou-lhe as cobertas. Sentiu que amolecia aos poucos, ouviu as gotas caindo. Um barulho baixinho, gostoso. A impressão era de estio. Virou-se para a parede, mas não queria dormir. A certeza de que era assim toda a noite, pouco a pouco se aproximando, acabava dormindo, e quando…