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Thaumázein
Gabriel Rosa Alves A menina olhava ao redor com extrema atenção e curiosidade, perguntando à mãe sobre os “quês”, os “para quês” e, mais importante, os “porquês”. Estava, particularmente, intrigada com um velho perfurador de folhas e, como a mãe não lhe desse atenção, resolveu questionar-me, mero servidor municipal, sobre o funcionamento daquele aparato.…
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Guardador
João Antônio ACartola,mestre,considerado,poeta da Estação Primeira de Mangueira,consagro esta história curta A rua ruim de novo. Abafava, de quente, depois de umas chuvadas de vento, desastrosas e medonhas, em janeiro. Desregulava. Um calorão azucrinava o tumulto, o movimento, o rumor das ruas. Mesmo de dia, as baratas saíam de tocas e escondidos, agitadas. Suor…
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Três charutos
A Belarmino Carneiro Três anos havia já que eu não visitava o meu amigo Eduardo da Silveira quando, uma noite, ao entrar no meu quarto, encontrei sobre o criado-mudo um cartão postal desse velho camarada que dizia o seguinte: “Por Júpiter!… Parece que estamos de relações cortadas!… Há um século que não apareces. Vem…
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Notas de matemática intuitiva
Quando nasci deram-me um nome. Se este nome consiste em som ou letra, desconheço. Na minha certidão diz: Donald Eckhart. Possuo esse nome, apesar de nunca tê-lo comprado, e todo ser vivente que quiser se referir a mim terá de usá-lo.
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Resenha – “E bem quisera que já estivesses em chamas”
Lidos em conjunto, os contos de Fabrício Tavares de Moraes em “E bem quisera que já estivesse em chamas” deixam uma impressão nítida: a de um autor para quem o mundo comum nunca é apenas comum.
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Detesta/gosta
O jornalista e colecionador João Condé notabilizou-se pela coluna “Arquivos implacáveis”, inicialmente publicada em A Manhã e Letras e Artes.
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Bolo na garganta
João Antônio O irmão se chegou e ajeitou-lhe as cobertas. Sentiu que amolecia aos poucos, ouviu as gotas caindo. Um barulho baixinho, gostoso. A impressão era de estio. Virou-se para a parede, mas não queria dormir. A certeza de que era assim toda a noite, pouco a pouco se aproximando, acabava dormindo, e quando…
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O país que mora na espera
Rafaella Salles O Brasil acorda antes do sol, mas nem sempre levanta. Fica ali, sentado na beira da cama, coçando os olhos, esperando o dia explicar a si mesmo. Há um tempo próprio nas manhãs brasileiras: o tempo do café esfriando enquanto a esperança ainda ferve. Na calçada, um homem varre folhas que voltarão…
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Sobre a poesia de Bruno Tolentino
Em breve a Editora Sator lançará a versão corrigida e ampliada do fantástico livro de Alexei Bueno: Uma história da poesia brasileira. Reproduzimos abaixo um pequeno trecho, acerca da poesia de Bruno Tolentino: Após um rumoroso processo pela publicação de um livro inteiramente plagiado, em 1957, Infinito Sul — cujo título era de Sílvio…
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Amor Fati
Um esquete beckettiano Lugar indiscernível. Entardecer. Mesa ao lado.Sentada num banco isolado, Lavínia tenta calçar os sapatos.Entra Estevão.ESTEVÃO: Eu estava pensando…LAVÍNIA: Que droga.ESTEVÃO: O que foi?LAVÍNIA: Esses malditos sapatos parecem ter encolhido da noite pro dia.ESTEVÃO: Oh, que pena. Quer usar os meus?LAVÍNIA: O que você estava pensando?ESTEVÃO: Eles são confortáveis.LAVÍNIA: Você chegou dizendo…
